Por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente
(22 de março), o Presidente da ABAS-RJ, engenheiro de minas
Humberto Albuquerque, fez amplo histórico da hidrogeologia
no Brasil, desde 1909, nos últimos cem anos.
Mencionou, por exemplo, os principais
marcos da hidrogeologia, como o Código de Águas de 1934
(Dec. 24.643) e o surgimento, desde a década de 40, de órgãos
de combate às secas no Nordeste do Brasil.
Considerou passo importante para o desenvolvimento
dos estudos hidrogeológicos no país, a criação da Petrobras,
em 1953. É dessa época o surgimento da Campanha de Aperfeiçoamento
de Geólogos (CAGE) e, em consequência, a criação de escolas
de geologia e a formação dos primeiros geólogos, em 1960.
Ocorre também nessa década de 60 a publicação da primeira
revista técnica de água subterrânea e a realização dos primeiros
estudos hidrogeológicos, como o inventário básico do Nordeste,
esse realizado pela Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste (Sudene), identificando as potencialidades das
águas subterrâneas no Polígono das Secas.
Mencionou ainda a criação da Companhia
de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), em 1969, atual
Serviço Geológico do Brasil, e suas realizações nos últimos
41 anos, com a elaboração, em 1983, do primeiro mapa hidrogeológico
do Brasil. Em 1988, cria o Programa Água Subterrânea para
a Região Nordeste, em vista da carência de águas superficiais.
Desde 1996, o Serviço Geológico do Brasil passa a realizar
trabalho sistemático de estudos hidrogeológicos e lança
o Sistema de Informação de Águas Subterrâneas (SIAGAS),
hoje, com cerca de 185.000 poços cadastrados; em 1999, surge
a primeira avaliação integral da capacidade potencial das
águas subterrâneas no Brasil elaborada pelo prof. Aldo Rebouças.
Dez anos depois, em 2009, inicia a implantação
da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas
(RIMAS); esta rede deverá, em 2014, contar com cerca de
2.000 poços monitorados.
A cartografia hidrogeológica passou a
ser também estimulada com o treinamento de especialistas,
o que proporcionou a conclusão de trabalhos em vários estados
brasileiros, como o do Rio de Janeiro, e no momento está
sendo elaborado o Mapa Hidrogeológico do Brasil em escala
de 1:1.000.000.
O Presidente da ABAS-RJ, na apresentação,
abordou também questões da dominialidade das águas subterrâneas,
da perfuração clandestina de poços e da ausência de fiscalização.
No final, o palestrante respondeu a muitas
perguntas acerca dos temas expostos na palestra, mediada
pelo Diretor do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), José
Farias de Oliveira.



Ao lado do Diretor do Cetem, José Farias de Oliveira,
o Presidente da ABAS-RJ, Humberto Albuquerque (à direita)
fala para plateia no Dia Mundial da Água
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