Rio, 05 de abril de 2010.

 

Perfurar poços em Faixa Marginal de Proteção de rios:
sinal verde surge no curso da ABAS-RJ sobre aquiferos

Proposta do SEAGUA (Procedimentos Legais e Técnicos do Serviço de Outorga pelo Uso da Água) visando a criação de Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para discutir, entre outros temas, “o baixo impacto da instalação de poços em Faixa Marginal de Proteção (FMP)” de rios e lagos, foi anunciada pela geóloga Elisa Bento Fernandes, no final do segundo dia (24/03) do curso sobre Procedimentos Legais, Construtivos e Operacionais de Poços Tubulares em Aquíferos Fluminenses promovido pela ABAS-RJ.

Segundo a proposta apresentada pela geóloga com mestrado em hidrogeologia e ligada ao SEAGUA, da Diretoria de Licenciamento Ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o GTT deverá se compor com representantes do Inea – órgão executivo da Secretaria do Ambiente (SEA) do Estado do Rio de Janeiro; do Departamento de Recursos Minerais – Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ); do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – Núcleo do Estado do Rio de Janeiro (ABAS-RJ) e das universidades.

Quando apresentava o tema “Procedimentos Legais e Técnicos do Serviço de Outorga pelo Uso da Água – SEAGUA” para os 36 inscritos no curso, a maioria geólogos, biólogos e engenheiros de empresas de perfuração, de águas minerais, além de servidores da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), do Inea e do SGB/CPRM, a questão da locação de poços em FMP de rios ressurgiu.
Elisa argumentou que as atuais restrições à ocupação de faixas marginais se devem ao antigo Código Florestal de 1934 (Decreto Nº 23.793), mas que diante da Resolução Nº 369, de 28/03/2006, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), alguma alternativa seria estudada, devendo ser ouvido também o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema).

Especialistas em perfuração de poços e críticos das restrições impostas às perfurações em faixas de terra ao longo de rios e lagos, argumentaram que nesses espaços localizam-se, em muitos dos casos, os aquíferos mais promissores.
No primeiro dia do curso, o geólogo Egmont Capucci, também especializado em Hidrogeologia, destacou a construção de poços em aquíferos cristalinos e sedimentares no Estado do Rio de Janeiro. Sistemas construtivos de poços e as mais atuais tecnologias empregadas, foram mostrados em filmes, como perfilagem ótica, e em material distribuído.

Recomendou aos alunos o uso do livro-texto Água Subterrânea – Uma Orientação aos Usuários, publicação do GTZ, da antiga Serla (atual Inea) e do DRM-RJ, publicação elaborada em sua maioria por geólogos e hidrogeólogos, sócios da ABAS-RJ.
Numa das etapas do curso, os alunos conheceram O Estado da Arte da Hidrogeologia do Brasil - desde 1909 aos dias atuais -, em palestra do Presidente da ABAS-RJ, engenheiro de minas, Humberto Albuquerque, que também encerrou o curso com agradecimentos aos palestrantes e a distribuição dos certificados. Fez entrega especial do certificado ao engenheiro Ademir Carlos Guerreta, do Grupo Petrópolis (cervejaria) pelos 42 anos de perfuração de poços, além de ser associado da ABAS (sede) há 25 anos.

O presidente da ABAS-RJ exibe o livro "Hidrogeologia"editado pelo SGB/CPRM

O geólogo Egmont Capucci, no primeiro dia do curso (23/03/10)

A geóloga Elisa Bento Fernandes, no segundo dia (24/03/10);

Geólogos, biólogos, engenheiros, perfuradores e servidores públicos, no curso de dois dias promovido pela ABAS-RJ.

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