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POÇOS TUBULARES: ESCLARECIMENTO
AO PÚBLICO
A
ABAS-RJ – Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – Núcleo Rio
de Janeiro, vem a público esclarecer a sociedade fluminense sobre
os equívocos que a NOVA CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgoto
vem cometendo em sua política de desestimular a construção de poços
para captação de água subterrânea em nosso Estado, que além de prejudicar
a população, prejudica os profissionais e as empresas que atuam
nesta área específica.
Esta
prática pode ser facilmente visualizada em seu site, onde através
do intitulado “GUIA DO USUÁRIO”, tece uma série de considerações
equivocadas sobre poços.
Cabe
esclarecer que estas incorreções prejudicam a sociedade fluminense
e devem ser denunciadas. Esta companhia que há muito acumula insatisfações
de seus usuários, vem prestando um desserviço à população do Estado
do Rio de Janeiro.
É
direito garantido pela Constituição Brasileira, ao cidadão, a possibilidade
de, caso deseje, construir poços para captação de água subterrânea,
para sua utilização, desde que obedeça a legislação vigente.
Em
primeiro lugar, gostaríamos de sugerir, que ao contrário do que
afirma em seu site, antes de se abrir um poço, não é necessário
se consultar a NOVA CEDAE, pois, esta função foge as suas atribuições.
Consultem
um geólogo especialista em águas subterrâneas e construção de poços
ou outro profissional com especialização comprovada nesta área.
Este profissional está habilitado legalmente pelo CREA-RJ – Conselho
Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura do Rio de Janeiro,
para prestar as orientações necessárias para este fim.
A
ABAS-RJ poderá auxiliar aos interessados neste assunto a encontrar
um profissional em seus quadros.
Esta
consulta também pode ser feita diretamente ao setor de outorgas
do INEA – Instituto Estadual do Ambiente, único órgão responsável
pela concessão de autorizações de projetos para construção de poços
À
título de esclarecimento, a construção de poços é uma obra de engenharia,
constituída de projeto que contempla todo o conhecimento hidrogeológico
do subsolo, através de: sondagem geológica, estudos ambientais,
ensaios de bombeamento, análises físico-química e bacteriológica
da água, entre outros estudos que irão viabilizar a sua utilização
dentro da legislação vigente, com o aval do órgão ambiental estadual,
o INEA.
Portanto,
a construção de poços feitos e operados de acordo com as normas
técnicas, não impacta o meio ambiente e muito menos coloca a saúde
da população em risco, servindo como fonte alternativa de abastecimento
e até como forma complementar ao abastecimento da concessionária
pública de água, em caso de um interrompimento em seu fornecimento.
Quando
a NOVA CEDAE generaliza qualquer tipo de poço, ela está prejudicando
todos aqueles que desejam construí-los de forma correta.
Para
conhecimento da população, a própria NOVA CEDAE possui inúmeros
poços que abastecem diversas comunidades no Estado do Rio de Janeiro,
e que diversos deles operam irregularmente, pois, não cumprem as
exigências legais previstas na legislação vigente do Estado do Rio
de Janeiro.
Esperamos
que com esses esclarecimentos, a ABAS-RJ venha estar contribuindo
de forma adequada para as boas práticas éticas, ambientais e legais,
quanto à utilização dos recursos hídricos subterrâneos.
DIRETORIA
ABAS-RJ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NÚCLEO RIO DE
JANEIRO
Cada centavo investido
em avaliação de áreas contaminadas, economiza um real com remediação
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Everton de Oliveira é Geólogo, Coordenador do I
CIMAS, Secretário Executivo e ex-presidente da Associação
Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS) |
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Quem
nunca teve a necessidade de utilizar serviços de saúde para si ou
para alguém querido? Em situações mais desesperadoras, tudo o que
se procura é um excelente médico, que nos tire as dúvidas sobre
qual a origem da doença. Eventualmente, até mesmo recorrer a uma
segunda opinião para dirimir as incertezas. Tudo porque são realizadas
interpretações sobre algo que não se vê diretamente, que se encontra
no interior do corpo humano. E um bom médico baseará sua decisão
em exames rigorosos. Sua experiência e conhecimento são fundamentais
para a interpretação dos resultados, mas os exames fornecem subsídios
necessários para que a decisão seja a acertada.
Se
encararmos uma contaminação subterrânea como uma doença do meio
ambiente subterrâneo e, por extensão, do meio ambiente como um todo,
sua cura, ou mais propriamente, sua remediação, dependerá de um
bom diagnóstico. Diferentemente do corpo humano, a crosta terrestre
varia muito de local para local, apresentando possibilidades muito
amplas para a interpretação da doença ou contaminação. É imprescindível
que se compreenda, ao máximo, o que ocorre naquela fração do meio
ambiente subterrâneo para que se faça um diagnóstico preciso e se
oriente a ação mais efetiva. Como os valores envolvidos em uma avaliação
adequada são elevados, estes tendem a ser minimizados e, na ansiedade
de se remover a contaminação da forma mais rápida e barata possível,
parte-se imediatamente para a remediação. Seria semelhante a partir
para uma ação cirúrgica diretamente, sem os exames adequados. Exceto
em casos onde o diagnóstico é evidente, esta é uma decisão temerária.
Entretanto, isto não é tão evidente quando se trabalha com o meio
ambiente subterrâneo.
Os
contaminantes tendem a seguir caminhos preferenciais quando em subsuperfície.
E estes caminhos não são visíveis, como tudo o mais em meio ambiente
subterrâneo. Sua determinação e, por conseguinte, a definição da
remediação adequada, necessita de muitos ensaios e coleta de informações.
Os valores envolvidos na remediação são geralmente elevados e podem
variar de R$ 100.000,00 a R$ 2.000.000,00, dependendo da situação.
Quando mal empregados, os trabalhos devem ser revistos e refeitos.
Vale a máxima de quem gasta mal gasta duas vezes. Ou mais vezes.
Técnicas
sofisticadas de avaliação estão aparecendo constantemente, acompanhando
a evolução tecnológica. Metodologias de amostragem contínua, análises
no próprio local (in-situ), coletas de solo ou água subterrânea
específicas para cada tipo de contaminação, softwares para interpretação
e modelagem, enfim, uma grande quantidade de ferramentas encontra-se
disponível para uma avaliação adequada. Cada centavo investido em
avaliação corresponde a um real economizado em remediação.
Todas
estas técnicas, embora sofisticadas, serão abordadas no I Congresso
Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo (I CIMAS), que será realizado
de 15 a 18 de setembro, em São Paulo (www.abas.org.br\cimas). O
evento reunirá os nomes mais importantes do mundo desta área do
conhecimento, além dos profissionais e consumidores de produtos
relativos à avaliação e remediação de locais contaminados.
Investir
em avaliação do seu local contaminado é economizar muito em remediação.
Vale o investimento.
Água Subterrânea, Lei
de Saneamento e Monopólios
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Amilcar Pereira da Silva Júnior
- Geólogo-Especialista em Recursos Hídricos - Membro
da Diretoria da ABAS-Núcleo RJ
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Em artigo onde aborda
a questão da água subterrânea face à Lei Federal nº 11.445/2007
(Lei de Saneamento), claramente favorável ao monopólio público e/ou
privado, contrariando a livre concorrência, Amilcar Pereira da Silva
Júnior, Geólogo-Especialista em Recursos Hídricos e Membro da Diretoria
da ABAS-Núcleo RJ, é taxativo:
“Infelizmente, este recurso natural de fontes subterrâneas, disponível
e garantido, constitucionalmente, a todos os brasileiros, passe
a ser exclusivo do monopólio estadual e/ou privado, como estabelecido
pela Lei nº 11.445/2007, sendo mal utilizado, ou o que é pior, relegado
a segundo plano pelas empresas de abastecimento e saneamento, como
ocorre, por exemplo, no Estado do Rio de Janeiro”.
Menciona ainda que “após dez anos de consolidação da Lei 9.433/97,
que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, a qual contribuiu,
com sucesso, para a utilização de mananciais, tanto superficiais
quanto subterrâneos, de forma segura e ambientalmente sustentável”.
Finaliza, diante do exposto: “Apelo para que nossas representações
políticas discutam, de forma mais ampla, o conteúdo da Lei nº 11.445/2007,
suas implicações para a correta destinação dos recursos públicos,
como também para a promoção das diversas fontes alternativas de
captação, tratamento e abastecimento de água para a sociedade brasileira,
em consonância com os preceitos ambientais e de saúde pública, visando
o desenvolvimento integrado e sustentável do país”.
Artigo, na íntegra: saiba
mais
A
era da água
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Everton de Oliveira - Presidente da ABAS – Associação
Brasileira de Águas Subterrâneas para o biênio 2007-2008* |
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Nosso
país deve orientar-se pelo uso da água subterrânea em toda sua potencialidade.
Os estados precisam estar equipados com leis adequadas para a gestão
correta do uso deste recurso, além de se equiparem para sua preservação,
uma vez que o esgoto doméstico é o principal poluente potencial
de nossos aqüíferos e é função do estado de fazer sua coleta.
Água,
hoje em dia, é assunto. Há até conjecturas sobre possíveis guerras
futuras para o acesso à água. Hoje, água é pauta para várias discussões.
E 97% da água disponível para consumo humano no planeta é subterrânea.
Logo, a pauta deverá inexoravelmente caminhar para o entendimento
desta como parte de nosso dia-a-dia. Todos nós vimos um poço um
dia em nossas vidas, mas poucos de nós parou para pensar em como
a água chega ao seu interior, se sua quantidade varia com o passar
do tempo, se a qualidade também varia como passar do tempo.
As
respostas simples para estas questões permitem-nos organizar nossas
ações visando à preservação da água subterrânea e, por extensão,
das águas como um todo. Por serem subterrâneas, esses 97% nos são
praticamente invisíveis, somente aparecendo em nascentes, e lembra
das quando vemos um poço.
Em
primeiro lugar, as águas subterrâneas são armazenadas nos poros
do material geológico que compõe os chamados aqüíferos, cuja etimologia
remete a um material com capacidade de armazenar e transmitir água
em quantidades apreciáveis. As águas de chuva, ao atingirem a superfície
do solo dividem-se em uma parte que escoa superficialmente, indo
alimentar diretamente os rios e lagos, e outra parte que se infiltra,
indo alimentar os aqüíferos. Esse fenômeno chama-se recarga e é
o responsável pela realimentação da água que aparece nos poços e,
em grande parte, das águas que fluem nos rios e drenagens superficiais.
Muitos rios do nordeste do Brasil são alimentados quase que exclusivamente
por água subterrânea. Logo, a quantidade de água de um poço depende
de sua recarga. Longos períodos de estiagem irão corresponder a
uma menor disponibilidade hídrica subterrânea. Por outro lado, a
qualidade da água subterrânea depende, em princípio, da interação
com o material geológico que compõe o aqüífero e de possíveis alterações
causadas pela introdução de compostos estranhos à sua composição:
poluição. Ao contrário de rios e lagos, onde a poluição é imediata,
pois o acesso à água é direto, nos aqüíferos a poluição é muito
mais lenta, pois o fluxo das águas subterrâneas também é lento,
tipicamente variando entre 1 metro por dia a 1 metro por ano. Nos
aqüíferos, a água encontra-se mais abrigada tanto da evaporação
quanto de potencial contaminação. Logo os aqüíferos são mais protegidos,
mas não são imunes a contaminações e devem ser remediados (termo
técnico) quando tiverem sua qualidade alterada. Inúmeras são as
possibilidades de se poluir as águas em geral, e as águas subterrâneas
em particular, mas o elemento poluidor mais onipresente é o esgoto
doméstico.
Como
somos um país ainda mal servido pela coleta de esgotos, este infiltra-se
no solo, indo eventualmente parar nos aqüíferos. Uma fossa nada
mais é do que um sistema de infiltração. Preocupante, não?
Devemos
nos lembrar que o problema água hoje é pauta mais por estarmos sujando
a água que posteriormente iremos utilizar, do que pela sua escassez,
uma vez que a quantidade de água do planeta é praticamente invariável.
Esgoto doméstico é um vilão, sem dúvida.
Nosso
país deve orientar-se claramente pelo uso da água subterrânea em
toda sua potencialidade. Os estados precisam estar equipados com
leis adequadas para permitirem que técnicas corretas de perfuração
de poços, de explotação de quantidades que não superem a capacidade
de reposição de água pela recarga, enfim, de gestão correta do uso
deste recurso, além de se equiparem para sua preservação, uma vez
que o esgoto doméstico é o principal poluente potencial de nossos
aqüíferos e é função do estado de fazer sua coleta.
Água
vai continuar a ser assunto, e as águas subterrâneas virão cada
vez mais à superfície das discussões em torno do uso racional dos
recursos hídricos.
(*)
Presidente da ABAS – Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
para o biênio 2007-2008; Geólogo formado pelo Instituto de Geociências
da Universidade de São Paulo, Mestre em Hidrogeologia pelo mesmo
Instituto e Doutor em Hidrogeologia de Contaminação pela Universidade
de Waterloo,Canadá.
O Geólogo e a Hidrogeologia
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Gerson Cardoso da Silva Jr - Geólogo e Hidrogeólogo |
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O
Dia do Geólogo que a ABAS-RJ e outras entidades, como a APG-RJ,
celebraram este ano no Clube de Engenharia, será sempre uma data
tão cara a todos nós por nos conferir um senso de pertinência, por
nos fazer refletir sobre a nossa vida profissional e sobre o papel
da Geologia em nossas vidas – como nosso ganha-pão, pela busca incessante
pelo aperfeiçoamento, a necessidade de bem realizar, os bons e maus
momentos que tivemos os quais, talvez de forma mais evidente que
em outras atividades, estão indissociados de nossa profissão - e
também sobre o papel da Geologia na sociedade como um todo.
Questões como as mudanças climáticas, a previsível futura escassez
de recursos hídricos de boa qualidade, a ameaça de danos devido
a catástrofes naturais e a necessidade do uso e gestão adequados
dos recursos naturais fazem com que a geração do Conhecimento Geológico
seja sem dúvida cada vez mais prioritária, indispensável e urgente.
O papel do Hidrogeólogo
é fundamental em todo esse processo. De um profissional que no passado
tinha sua atuação ligada quase exclusivamente à obtenção de água
subterrânea para abastecimento, o Hidrogeólogo ampliou de tal maneira
seu raio de ação que hoje é requisitado em praticamente todo estudo,
pesquisa ou empreendimento de porte ligado à temática ambiental.
Esse novo status profissional
criou, além de novas oportunidades profissionais e pessoais, uma
enorme responsabilidade, pois levou à necessidade de o Geólogo lidar
com temas muitas vezes pobremente cobertos por seu currículo profissional
básico, como tecnologias de informação, modelagem matemática, microbiologia,
climatologia, etc.
Não podemos nos permitir a cometer os mesmos erros do passado nas
questões ambientais e, em particular, com respeito aos recursos
hídricos. A sociedade espera, portanto, muito de nós, que não temos
alternativa senão buscar o contínuo aperfeiçoamento e aprendizado
para responder adequadamente a esses desafios. E onde vamos buscar
essa fonte de conhecimento, esse diferencial que faz com que haja
essa expectativa depositada sobre nossos ombros?
A resposta, estou cada
vez mais convencido, é uma só: o Conhecimento Geológico, aquele
conjunto de conceitos por vezes pouco relacionados diretamente,
heterogêneo, complexo em sua trama e que faz com que nos identifiquemos
como profissionais, compartilhando de um mesmo tesouro. Portanto,
no Dia do Geólogo, o Hidrogeólogo deve, além de refletir sobre as
suas raízes e confraternizar com os colegas e amigos, usufruir a
alegria de pertencer a essa tribo maravilhosa.
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